O TEMPO CORRE...
Faltam horas para os amigos, para os almoços em que se trocam experiências novas e antigas e se colocam à tona os sentimentos de benquerença mútuos.
No facebook ainda se arranja breves minutos para dizer isto ou aquilo. No blogue já é mais complicado.
O Tempo é uma coisa boa, porque nos permite crescer e ver os outros e a nós próprios numa dimensão mais realista, logo de pacificação. Mas não precisava de correr tanto. Afinal, segundo alguns, sendo circular, nunca irá a lado nenhum.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
8 de outubro de 2009
6 de outubro de 2009
AS MÚSICAS QUE NOS INFLUENCIAM
Enquanto se escreve um romance, ouve-se muita coisa. Pessoalmente, tenho sempre uma lista de coisas que me passaram e em que tento não reparar nos títulos (o que no meu caso não é difícil, distraído como sou). Escuto, em fundo, sempre as mesmas músicas, até à saturação.E, de alguma forma, isso influencia-me. No tom, no comprimento da frase, no ambiente do instante que descrevo.
"O Livro Branco do Rapaz-Coelho" foi escrito ao som de Au Revoir Simone e de Andrew Bird, entre outros. Esta noite, tive a oportunidade de ver o primeiro grupo ao vivo. E percebi que aquela sonoridade entre o real e um espaço-além tem muito a ver com o que escrevi.
Quem ouvir a "Sad Song" ou "The Lucky one", que reproduzo em baixo (com um vídeo feito por alguém desconhecido e que, mais uma vez, tem a ver com o trabalho que desenvolvi, embora só o tenha visto há instantes, quanto procurei ilustrar este post)vai saber antecipadamente o ambiente geral que pode encontrar nesta obra.
Enquanto se escreve um romance, ouve-se muita coisa. Pessoalmente, tenho sempre uma lista de coisas que me passaram e em que tento não reparar nos títulos (o que no meu caso não é difícil, distraído como sou). Escuto, em fundo, sempre as mesmas músicas, até à saturação.E, de alguma forma, isso influencia-me. No tom, no comprimento da frase, no ambiente do instante que descrevo.
"O Livro Branco do Rapaz-Coelho" foi escrito ao som de Au Revoir Simone e de Andrew Bird, entre outros. Esta noite, tive a oportunidade de ver o primeiro grupo ao vivo. E percebi que aquela sonoridade entre o real e um espaço-além tem muito a ver com o que escrevi.
Quem ouvir a "Sad Song" ou "The Lucky one", que reproduzo em baixo (com um vídeo feito por alguém desconhecido e que, mais uma vez, tem a ver com o trabalho que desenvolvi, embora só o tenha visto há instantes, quanto procurei ilustrar este post)vai saber antecipadamente o ambiente geral que pode encontrar nesta obra.
5 de outubro de 2009
PARA CONCLUIR A QUESTÃO ISLANDESA
Foi o meu país mais a norte (ou quase, teria de verificar no mapa, a questão finlandesa...) e um dos melhores de todos.
Começa-se pela paisagem, irreal de mais para ser verdadeira. O fogo e o gelo a tocarem-se constantemente. Géisers e glaciares, neve e lagoas de água quente.
Não vale a pena falar muito sobre o assunto. Uma pesquisa na Net pode dizer mais sobre esta experiência.
Mas gostaria de registar outras coisas. A começar pela cozinha islandesa. Não disse "gastronomia", porque isso poderia levar a coisas como "tubarão apodrecido", ou pratos com "papagaios-do-mar" (puffins, creio que a tradução será essa...) ou a carne de baleia que insistem em comer. Falo da variedade, apresentação e qualidade de qualquer refeição onde quer que se fosse. Pela dedicação dos empregados (muito jovens, a maior parte do tempo, fazendo-nos lembrar que estamos a criar gerações de inúteis, incapazes de prover ao próprio sustento...), até à forma como a comida era empratada. Por um preço razoável, o mesmo que pagaríamos em qualquer restaurante português, é-se bem servido.
Também poderia falar de piscinas públicas, museus e outros lugares onde se acede por quase nada. Na verdade, o que mais nos estranha, enquanto portugueses, é que os funcionários cumpram o seu dever sem parecer estarem constantemente a fazer um frete. Não estamos habituados, pronto.
A visitar, obrigatoriamente (sobretudo, enquanto a conversão com a coroa islandesa nos for favorável).
Foi o meu país mais a norte (ou quase, teria de verificar no mapa, a questão finlandesa...) e um dos melhores de todos.
Começa-se pela paisagem, irreal de mais para ser verdadeira. O fogo e o gelo a tocarem-se constantemente. Géisers e glaciares, neve e lagoas de água quente.
Não vale a pena falar muito sobre o assunto. Uma pesquisa na Net pode dizer mais sobre esta experiência.
Mas gostaria de registar outras coisas. A começar pela cozinha islandesa. Não disse "gastronomia", porque isso poderia levar a coisas como "tubarão apodrecido", ou pratos com "papagaios-do-mar" (puffins, creio que a tradução será essa...) ou a carne de baleia que insistem em comer. Falo da variedade, apresentação e qualidade de qualquer refeição onde quer que se fosse. Pela dedicação dos empregados (muito jovens, a maior parte do tempo, fazendo-nos lembrar que estamos a criar gerações de inúteis, incapazes de prover ao próprio sustento...), até à forma como a comida era empratada. Por um preço razoável, o mesmo que pagaríamos em qualquer restaurante português, é-se bem servido.
Também poderia falar de piscinas públicas, museus e outros lugares onde se acede por quase nada. Na verdade, o que mais nos estranha, enquanto portugueses, é que os funcionários cumpram o seu dever sem parecer estarem constantemente a fazer um frete. Não estamos habituados, pronto.
A visitar, obrigatoriamente (sobretudo, enquanto a conversão com a coroa islandesa nos for favorável).
23 de setembro de 2009
NOVA EDITORA
Primeiro a Assírio & Alvim, pela mão do maior dos editores, Hermínio Monteiro. Depois a Oficina, viragem para outras águas, com outros desafios. E agora, o mergulho em profundidade, no meio do B. Chatwin e do Bolaño, amparado pela direcção de Francisco José Viegas (outro transmontano, mas que fazer, se é com estes e com os galegos que a minha inquietação escrita melhor se entende?) sou recebido na Quetzal Editores (grupo Bertrand).
A equipa é boa e parece-me que a aventura correrá bem.
Em Novembro, O Mundo Branco do Rapaz-Coelho estará nas livrarias para fazer o seu percurso.
Primeiro a Assírio & Alvim, pela mão do maior dos editores, Hermínio Monteiro. Depois a Oficina, viragem para outras águas, com outros desafios. E agora, o mergulho em profundidade, no meio do B. Chatwin e do Bolaño, amparado pela direcção de Francisco José Viegas (outro transmontano, mas que fazer, se é com estes e com os galegos que a minha inquietação escrita melhor se entende?) sou recebido na Quetzal Editores (grupo Bertrand).
A equipa é boa e parece-me que a aventura correrá bem.
Em Novembro, O Mundo Branco do Rapaz-Coelho estará nas livrarias para fazer o seu percurso.
19 de setembro de 2009
VIDA NOVA
Com a chegada de Setembro, arranca o meu "ano civil". Início das aulas nas várias escolas (o desafio de uma nova cadeira semestral na Universidade Lusófona, por exemplo), lançamento de novos projectos e a preparação para que o novo livro chegue de boa saúde às livrarias em Novembro (nova data, primeira semana do mês). Sobre este assunto, na segunda-feira, publicarei aqui algumas novidades.
Em preparação o site para os que procuram um registo mais estruturado do meu trabalho.
Para tudo isto, nada melhor que mudar o layout do blogue. Sob a (temporária, por certo) égide dos coelhos...
Com a chegada de Setembro, arranca o meu "ano civil". Início das aulas nas várias escolas (o desafio de uma nova cadeira semestral na Universidade Lusófona, por exemplo), lançamento de novos projectos e a preparação para que o novo livro chegue de boa saúde às livrarias em Novembro (nova data, primeira semana do mês). Sobre este assunto, na segunda-feira, publicarei aqui algumas novidades.
Em preparação o site para os que procuram um registo mais estruturado do meu trabalho.
Para tudo isto, nada melhor que mudar o layout do blogue. Sob a (temporária, por certo) égide dos coelhos...
15 de setembro de 2009
13 de setembro de 2009
LISBOA MIX
Hoje, domingo, e já ontem, sábado (pelo menos) o largo do Martim Moniz rebentou em música, exposições, comida e por aí fora. O mundo todo misturado. Foi muito bom ver gente oriunda de tantos países, a ouvir as mesmas músicas, a partilhar essa fruição.
É esta a visão que tem faltado a Portugal e a Lisboa. O saber que o tempo em que éramos todos brancos e com as mesmas referências culturais, acabou. O mundo mudou e temos duas maneiras de ver a coisa: ou nos defendemos, empurrando com decretos os imigrantes ou aceitamos o que eles trazem de bom e de novo, desenhando as linhas civilizacionais que não podem recuar (os direitos das mulheres, por exemplo).
Hoje foi mesmo bom ser mais um, ao som da música dos Balcãs... tocada por portugueses.
Hoje, domingo, e já ontem, sábado (pelo menos) o largo do Martim Moniz rebentou em música, exposições, comida e por aí fora. O mundo todo misturado. Foi muito bom ver gente oriunda de tantos países, a ouvir as mesmas músicas, a partilhar essa fruição.
É esta a visão que tem faltado a Portugal e a Lisboa. O saber que o tempo em que éramos todos brancos e com as mesmas referências culturais, acabou. O mundo mudou e temos duas maneiras de ver a coisa: ou nos defendemos, empurrando com decretos os imigrantes ou aceitamos o que eles trazem de bom e de novo, desenhando as linhas civilizacionais que não podem recuar (os direitos das mulheres, por exemplo).
Hoje foi mesmo bom ser mais um, ao som da música dos Balcãs... tocada por portugueses.
7 de setembro de 2009
A CONTAGEM DOS DIAS
Cada um mede os dias que lhe calharam como quer ou como pode. Os meus, conto-os em pores-de-sol. Não todos. Apenas daqueles extraordinários, quase sempre sobre o mar. Nessas alturas, ao comover-me diante do espaço que se unifica em tons que vão do laranja ao azul-prata, sei que se não houver amanhã, não fará mal. Porque me foi permitido ter estado ali, naquele tempo.
Ontem, contei mais um.
Cada um mede os dias que lhe calharam como quer ou como pode. Os meus, conto-os em pores-de-sol. Não todos. Apenas daqueles extraordinários, quase sempre sobre o mar. Nessas alturas, ao comover-me diante do espaço que se unifica em tons que vão do laranja ao azul-prata, sei que se não houver amanhã, não fará mal. Porque me foi permitido ter estado ali, naquele tempo.
Ontem, contei mais um.
3 de setembro de 2009
MAD MEN
Há séries assim: bem escritas, que não nos deixam largar e, sobretudo, que nos obrigam a reflectir sobre um passado recente. E no caso de alguns de nós, a tirar conclusões sobre o presente. "Mad Men" (FoxNext, vai no episódio 8, pelo que percebi, mas pode contar-se com as repetições) é um caso disso. Um publicitário nos anos 50, tenta perceber os mecanismos da vida, enquanto fuma e fuma, engana a mulher e vende o que gosta e não gosta. A sombra de R. Yates (Revolutionary Road e Cold Spring Harbor, publicado na Quetzal, por exemplo) a pairar na sua nostalgia e impossibilidade da felicidade absoluta. A Literatura, sempre a Literatura, por detrás.
A não perder (série e os livros do autor por analogia), por quem gosta de histórias bem escritas.
Há séries assim: bem escritas, que não nos deixam largar e, sobretudo, que nos obrigam a reflectir sobre um passado recente. E no caso de alguns de nós, a tirar conclusões sobre o presente. "Mad Men" (FoxNext, vai no episódio 8, pelo que percebi, mas pode contar-se com as repetições) é um caso disso. Um publicitário nos anos 50, tenta perceber os mecanismos da vida, enquanto fuma e fuma, engana a mulher e vende o que gosta e não gosta. A sombra de R. Yates (Revolutionary Road e Cold Spring Harbor, publicado na Quetzal, por exemplo) a pairar na sua nostalgia e impossibilidade da felicidade absoluta. A Literatura, sempre a Literatura, por detrás.
A não perder (série e os livros do autor por analogia), por quem gosta de histórias bem escritas.
31 de agosto de 2009
27 de agosto de 2009

I'LL SEE YOU IN MY DREAMS
Reedição especial do filme de zombies de Filipe Melo (deixem-me dizer assim, porque não teria sido o que foi sem ele, sem o seu entusiasmo e empenhamento - a vários níveis - sem limites). Creio que será lançada durante o festival MoteLX que começa na próxima semana. Já agora e sobre este evento, refira-se que o seu crescimento sólido, sustentado pela equipa que o produz, o torna neste momento como um festival bastante interessante. Provavelmente, o melhor, no capítulo do terror e do fantástico em Portugal. É ir ver para comprovar.
26 de agosto de 2009
DA IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO
Aparentemente todos os intelectuais portugueses (a ajuizar pelas entrevistas) se deleitaram com Proust e os teóricos construtivistas na infância.
A pergunta que se coloca é quantos leram as aventuras de "Guilherme", de Richmal Crompton, publicadas durante décadas em Portugal?
Não devem ter sido muitos, ou as soluções para as trapalhadas do país seriam por certo mais criativas...
Aparentemente todos os intelectuais portugueses (a ajuizar pelas entrevistas) se deleitaram com Proust e os teóricos construtivistas na infância.
A pergunta que se coloca é quantos leram as aventuras de "Guilherme", de Richmal Crompton, publicadas durante décadas em Portugal?
Não devem ter sido muitos, ou as soluções para as trapalhadas do país seriam por certo mais criativas...
24 de agosto de 2009
O PROBLEMA DA UNIÃO E O DA LÍNGUA DE TRAPOS
Cavaco Silva acaba de vetar alterações À lei das uniões de facto. Porque transforma este contrato civil num "paracasamento". No seu comunicado o presidente da república alega que as duas coisas não são comparáveis e por isso qualquer aproximação lesaria muitos cidadãos. Não nega as estatísticas (porque não pode)que apontam na direcção do crescimento deste tipo de união, mas nega a igualdade de tratamento.
Nenhum de nós espera que o antigo primeiro-ministro que (tal como Santana Lopes, Deus lhe cubra o gel de bênçãos...) foi ao Vaticano beijar a mão ao papa, e está casado com a mesma pessoa há décadas, reconheça que duas pessoas livremente unidas, sem padre, seja uma coisa a sério. Já na lei do divórcio a orientação foi a mesma.
O que nós dispensávamos, no homem simples, do povo, que se formou e progrediu com trabalho era o discurso hipócrita. O que diz que a razão do seu veto está em proteger os casais em união de facto e que "uma opção de liberdade a que correspondem efeitos jurídicos menos densos e mais flexíveis do que os do casamento".
Não seria mais fácil falar verdade e dizer que aos seus olhos e aos do seu Deus, há a união abençoada e o concubinato. E que se toda gente optar por este, os padres ficam ainda com menos poder e o Vaticano contará ainda menos?
Liberdade de veto sim, mas não é preciso mentir nas razões. Já somos todos grandinhos, não?
Cavaco Silva acaba de vetar alterações À lei das uniões de facto. Porque transforma este contrato civil num "paracasamento". No seu comunicado o presidente da república alega que as duas coisas não são comparáveis e por isso qualquer aproximação lesaria muitos cidadãos. Não nega as estatísticas (porque não pode)que apontam na direcção do crescimento deste tipo de união, mas nega a igualdade de tratamento.
Nenhum de nós espera que o antigo primeiro-ministro que (tal como Santana Lopes, Deus lhe cubra o gel de bênçãos...) foi ao Vaticano beijar a mão ao papa, e está casado com a mesma pessoa há décadas, reconheça que duas pessoas livremente unidas, sem padre, seja uma coisa a sério. Já na lei do divórcio a orientação foi a mesma.
O que nós dispensávamos, no homem simples, do povo, que se formou e progrediu com trabalho era o discurso hipócrita. O que diz que a razão do seu veto está em proteger os casais em união de facto e que "uma opção de liberdade a que correspondem efeitos jurídicos menos densos e mais flexíveis do que os do casamento".
Não seria mais fácil falar verdade e dizer que aos seus olhos e aos do seu Deus, há a união abençoada e o concubinato. E que se toda gente optar por este, os padres ficam ainda com menos poder e o Vaticano contará ainda menos?
Liberdade de veto sim, mas não é preciso mentir nas razões. Já somos todos grandinhos, não?
19 de agosto de 2009

A IMPORTÂNCIA DA CRÍTICA
Os blogtailors apontam-nos para a Pó dos Livros que lembra uma coisa intemporal: a crítica é um fruto do seu tempo e do gosto dos seus agentes. Aqui citam-se exemplos. Mas poderíamos falar de Eça, de Miguel Torga ou de Jorge de Sena, para não ir tão longe, todos acolhidos com desconfiança à data da primeira publicação das suas obras.
É preciso entender este fenómeno e ler com algum distanciamente. O Tempo será sempre o principal crítico de um trabalho artístico.
DAS ESCUTAS
Que Portugal é um país de comadres, já se sabia. Logo, tudo de ouvido à coca, a ver se descobre o podre dos vizinhos, para poder ir contar. Nisto difere de outros povos, já que não procura nesse revelar mais do que obter estatuto como "denunciante", logo, "honesto". Foi assim, desde a Inquisição. Vizinhos vigiavam vizinhos de forma a protegerem-se dos seus "malefícios". Fossem de comer porco à sexta-feira, fosse de se não acreditar que um relicário pudesse curar paralíticos.Fosse até de pensarem que eles poderiam ser os próximos a merecer ir para a morte
Morreu muita gente, por isto.
A Pide não foi mais do a oficialização deste procedimento.
E, mais recentemente, o SIS tomou para si esta função. Com a desculpa dos terroristas e dos Muito Maus e o beneplácito dos governos.
Sim, muitos portugueses são escutados, espiados nos seus trajectos na Internet devassados sem que juiz algum tenha conhecimento. Simplesmente, porque as máquinas estão ali à mão e podem.
Daí aos jornais, nomeadamente aos cor-de-rosa e de escândalos vai um passo. Um pequenino que,segundo muitos, é constantemente transposto. Sobretudo se houver dinheiro envolvido. E há, provavelmente, quem pague por estas informações. Seja por uma conversa presidencial seja pela vida privada de uma actriz de telenovelas.
Quando foi decretada a ditadura militar no Brasil e se formou uma polícia política, um conhecido estadista disse que o problema não era de quem a polícia os queria proteger, mas sim, quem os protegeria DA polícia.
Continuo a achar, ao saber dos relatórios da Amnisitia Internacional e ver as leis que abrem caminho ao controlo de todos os nossos movimentos, que cada vez mais esta frase fará sentido.
Quem nos protegerá dos homens que são polícias?
Que Portugal é um país de comadres, já se sabia. Logo, tudo de ouvido à coca, a ver se descobre o podre dos vizinhos, para poder ir contar. Nisto difere de outros povos, já que não procura nesse revelar mais do que obter estatuto como "denunciante", logo, "honesto". Foi assim, desde a Inquisição. Vizinhos vigiavam vizinhos de forma a protegerem-se dos seus "malefícios". Fossem de comer porco à sexta-feira, fosse de se não acreditar que um relicário pudesse curar paralíticos.Fosse até de pensarem que eles poderiam ser os próximos a merecer ir para a morte
Morreu muita gente, por isto.
A Pide não foi mais do a oficialização deste procedimento.
E, mais recentemente, o SIS tomou para si esta função. Com a desculpa dos terroristas e dos Muito Maus e o beneplácito dos governos.
Sim, muitos portugueses são escutados, espiados nos seus trajectos na Internet devassados sem que juiz algum tenha conhecimento. Simplesmente, porque as máquinas estão ali à mão e podem.
Daí aos jornais, nomeadamente aos cor-de-rosa e de escândalos vai um passo. Um pequenino que,segundo muitos, é constantemente transposto. Sobretudo se houver dinheiro envolvido. E há, provavelmente, quem pague por estas informações. Seja por uma conversa presidencial seja pela vida privada de uma actriz de telenovelas.
Quando foi decretada a ditadura militar no Brasil e se formou uma polícia política, um conhecido estadista disse que o problema não era de quem a polícia os queria proteger, mas sim, quem os protegeria DA polícia.
Continuo a achar, ao saber dos relatórios da Amnisitia Internacional e ver as leis que abrem caminho ao controlo de todos os nossos movimentos, que cada vez mais esta frase fará sentido.
Quem nos protegerá dos homens que são polícias?
13 de agosto de 2009
O PROBLEMA DAS PEVIDES
Já quase ninguém come tremoços e menos gente ainda, pevides. Tomei consciência disso, ao derivar inesperadamente para o super do El Corte Inglês que tem como curiosa característica devolver-nos algumas coisas boas que deixámos cair. Queijo com cardo, por exemplo. Ou tomate seco. Ou beldroegas (mais para alentejanos...) e coisas desse género. Se em vez de escritor fosse, digamos, assessor ou até motorista de um ministro, era certo que me abasteceria ali mais vezes. Assim, olha: pode ser que um dia o Mini-Preço...
ps: ah, isto tudo para dizer que foi só começar a comer nelas para me lembrar que sou completamente viciado. À primeira mordiscadela na pele com sal, já me tinha desgraçado.
Já quase ninguém come tremoços e menos gente ainda, pevides. Tomei consciência disso, ao derivar inesperadamente para o super do El Corte Inglês que tem como curiosa característica devolver-nos algumas coisas boas que deixámos cair. Queijo com cardo, por exemplo. Ou tomate seco. Ou beldroegas (mais para alentejanos...) e coisas desse género. Se em vez de escritor fosse, digamos, assessor ou até motorista de um ministro, era certo que me abasteceria ali mais vezes. Assim, olha: pode ser que um dia o Mini-Preço...
ps: ah, isto tudo para dizer que foi só começar a comer nelas para me lembrar que sou completamente viciado. À primeira mordiscadela na pele com sal, já me tinha desgraçado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

